Não será à bala

lucas-vergilio-artigo-artigo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, entregou ao Congresso Nacional o projeto do governo para a reforma tributária com pelo menos dez meses de atraso. Para não admitir a sua própria incapacidade de encaminhar uma proposta que atenda às reais demandas do País, prefere tentar salvar a própria pele e acusar senadores e deputados federais de travar o desenvolvimento econômico do Brasil.

Afinal, Paulo Guedes quer o apoio do Congresso para avançar com uma agenda concreta de reformas ou já se aliou ao fracasso e só procura uma desculpa?

Recentemente, num evento para o mercado financeiro, o ministro disse que só sai do governo do presidente Jair Bolsonaro se “abatido à bala ou removido à força”. Não será em nenhuma destas duas situações. O Brasil é uma democracia. Paulo Guedes também disse que deixará o governo caso uma agenda de reformas não seja considerada prioridade. Ou se o Congresso, de alguma forma, tentar atrapalhar.

Mais uma vez, o ministro se esforça primeiro em tentar encontrar culpados para um eventual fracasso pessoal. O melhor caminho não seria primeiro trabalhar pelo sucesso de suas iniciativas? Paulo Guedes corre o risco, cada vez maior, de deixar o governo por um único motivo: não mostrar capacidade de fomentar as condições necessárias para uma retomada do crescimento econômico do País.

Pela inércia do Ministério da Economia, o Congresso Nacional começou por iniciativa própria a discutir a reforma do sistema tributário brasileiro, para torná-lo mais justo, mais simples e menos oneroso para empresas e consumidores. Se antes as reformas estruturais eram importantes para o Brasil voltar a crescer, com a pandemia da covid-19 se tornaram imprescindíveis.

A realidade brasileira mudou muito neste ano. E para pior.

Precisamos promover o desenvolvimento econômico e social para todos os brasileiros. Não precisamos de uma agenda para satisfazer egos e para uma parcela abastada da nossa economia. Precisamos de reformas que promovam, por exemplo, uma real redução dos juros cobrados das empresas e dos consumidores. O mercado de crédito brasileiro está 80% concentrado em apenas cinco bancos e, até agora, nada foi feito pelo Ministério da Economia para mudar esta realidade. Precisamos democratizar o crédito, incentivando a ampliação do nosso sistema financeiro.

Analisando agora o comportamento, as omissões e os erros no comando do Ministério da Economia, a infeliz declaração sobre ser retirado à bala do governo ganha uma nova conotação. Pode ter sido um ato falho. Paulo Guedes talvez reconheça que ele mesmo pode, a qualquer momento, puxar este gatilho.

Lucas Vergílio é deputado federal pelo Solidariedade-GO.