Os jovens e as eleições

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Lucas Vergilio

O voto não é a única forma de acompanhar a participação política do cidadão, mas sem dúvida é um bom termômetro para medir o interesse pela discussão dos rumos do País. E os dados estatísticos sobre as eleições deste ano, divulgados em julho pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontam que a indiferença com o voto e com a política cresce a cada ano entre os jovens – o voto é facultativo para os eleitores de 16 e 17 anos.

O Brasil tem hoje 144.088.912 eleitores aptos a votar nas eleições de 2 de outubro. Destes, 2,3 milhões são de jovens entre 16 e 17 anos, o que corresponde a 1,6% do total. Nas eleições de 2012 os eleitores nesta faixa etária somavam 2,9 milhões, ou 2,1% dos votantes do País. A série histórica do voto dos jovens teve seu pico em 1994, quando eles representavam 2,34% dos eleitores do País.

A questão que fica é: por que eles decidiram se distanciar do processo eleitoral? A geração dos jovens que agora ganham direito ao voto nasceu e cresceu sob a égide dos governos petistas, que teve um início com estabilidade econômica e crescimento do País, motivando os jovens a se alistarem e ter participação mais ativa na vida política.

Mas o encanto passou rápido. As investigações de escândalos como o mensalão do PT e a Operação Lava Jata revelaram uma série de práticas criminosas contra a administração pública, resultando na prisão de agentes políticos e denúncias de outros. Um balde de água fria na esperança que nascia.

Os jovens sempre estiveram à frente das grandes manifestações no País ao longo dos tempos. Movimentos históricos como que culminou no afastamento do presidente Fernando Collor de Melo, em 1992; contra o aumento das passagens do transporte público urbano, em 2013; e agora pelo impeachment de Dilma Rousseff tiveram nos jovens seus principais protagonistas. A cada um deles, porém, era maior a repulsa à participação dos políticos.

Essa reação negativa ocorre porque os jovens se sentiram excluídos do debate de temas importantes para o País. São exemplos a reforma política, mudanças no sistema educacional e o transporte público. Ao invés de discutir soluções definitivas, o que se vê são medidas paliativas.

Para transformar essa realidade e despertar nos jovens o interesse pelo debate político é preciso rever o foco das ações, seja no Legislativo, no Executivo ou nas instituições partidárias. É preciso mudar, mas não apenas os políticos, e sim na forma de pensar e fazer política. Vivemos em um sistema de democracia representativa, mas hoje uma enorme distância separa a ação dos partidos dos movimentos de ruas.